Eu quero alguém que se dedique
Alguém que se responsabilize
Eu quero alguém que diz que vai
E vai
Eu quero alguém que se importe
Com quem eu me importe
Não importa o quê acontecer
Quando eu encontrar alguém disposto
ou disposta, seja lá quem for
Eu vou amar
Porque o quê a gente precisa mesmo
É alguém pra estar
E estar mesmo não estando
Alguém que se faça presente
Mesmo na ausência
A gente precisa de alguém que se dê
Que se doe
Porque eu vou me doar, vou me dar
Eu vou estar presente
Eu serei presente
Eu não desistirei
Até perceber que você quer desistir
E se você insistir eu vou insistir
Eu não sou de querer muito, apesar dos versos pesados que escrevo
Eu só sou de querer que me queira
É só o quê eu peço
Que se importe
Que pense em mim quando for fazer alguma coisa que pode me deixar chateado
Que converse e que me fale quando e porque estiver, se estiver
E eu vou ouvir
Vou tentar entender
Não, eu vou entender.
Porque eu vou pensar no assunto até chegar em um ponto de vista mais próximo do teu
E eu vou entender, mesmo que eu demore, eu vou me dedicar a entender
E talvez, mesmo que tenha doído
Eu vou perdoar
Porque quem ama
Quem se importa
Quer tá perto
E não tem nada que afaste mais as pessoas
Que um perdão adiado
Eu não quero muito
Eu só quero que você, seja lá quem for
Apareça logo
Porque a idade chega pra todo mundo
E viver sozinho é se amargurar
pouco a pouco
Desperdiçando o doce da vida
Em sonhos de olhos abertos
E deixando os sonhos incertos pra sempre
Eu não quero muito, mas se você chegar logo
Eu agradeço.
Eu sempre soube.
Além de hoje, o quê há? O desconhecido é assustador, é como caminhar pra frente no escuro total, de vez em quando bate aquela certeza de que tem uma parede ali. De vez em quando bate um medo do que há por vir.
Ontem eu almocei um belo prato de... Eu não lembro. Eu não lembro como vim parar aqui, eu não lembro o porquê. Eu não lembro quem era aquela pessoa que me cumprimentou na rua mais cedo.
Será que é isso? O tempo vai passando e a gente vai esquecendo tudo? Vai esquecendo que já teve medo do que estamos vivendo agora e olha só, talvez o agora nem seja tão assustador quando eu achava que seria... Talvez ele até seja, mas se for "Eu sabia!"
Ontem eu almocei um belo prato de... Eu não lembro. Eu não lembro como vim parar aqui, eu não lembro o porquê. Eu não lembro quem era aquela pessoa que me cumprimentou na rua mais cedo.
Será que é isso? O tempo vai passando e a gente vai esquecendo tudo? Vai esquecendo que já teve medo do que estamos vivendo agora e olha só, talvez o agora nem seja tão assustador quando eu achava que seria... Talvez ele até seja, mas se for "Eu sabia!"
A Verdade Sobre o Padrão - parte III
Eu nunca vou entender o porquê de me sentir tão ligado a ela. Quando eu entrei em casa e todos confirmaram que a tinham visto, que eu não via fantasmas e que ela era real, ali pra mim e pra eles... Foi ai que eu percebi... Ela não vai voltar.
Ela só veio pra me confortar, aquele abraço, aqueles olhos, e mesmo aquele "bem ali"... Foi só o jeito de dizer adeus.
Ah, Deus. Por que?
Quando eu acordei, me recusei a abrir meus olhos, ao perceber que aquele encontro tinha sido apenas um sonho, eu me recusei a acordar. Por alguns segundos eu continuei sentindo o cheiro dela se dissipando... Foi como se ela tivesse estado, de fato, ali, no pé da minha cama.
É engraçado, anos atrás, quando eu comecei a escrever essa serie, era só pra tomar nota de um sonho que tive com alguém que havia sido muito importante pra mim. Nunca imaginei que essa lembrança me reconfortaria algum dia...
Eu vou dormir agora, seis da manhã, e espero sonhar com ela.
Ela só veio pra me confortar, aquele abraço, aqueles olhos, e mesmo aquele "bem ali"... Foi só o jeito de dizer adeus.
Ah, Deus. Por que?
Quando eu acordei, me recusei a abrir meus olhos, ao perceber que aquele encontro tinha sido apenas um sonho, eu me recusei a acordar. Por alguns segundos eu continuei sentindo o cheiro dela se dissipando... Foi como se ela tivesse estado, de fato, ali, no pé da minha cama.
É engraçado, anos atrás, quando eu comecei a escrever essa serie, era só pra tomar nota de um sonho que tive com alguém que havia sido muito importante pra mim. Nunca imaginei que essa lembrança me reconfortaria algum dia...
Eu vou dormir agora, seis da manhã, e espero sonhar com ela.
Adventureland, só que sem aventura.
Certo... Eu voltei a escrever, só pra guardar a história seguinte em algum lugar que não fosse a minha cabeça, porque... Como vocês sabem, coisas se perdem aqui.
Eu não era ninguém - e continuo não sendo - Ela era menos... Acontece que de alguma forma, nos aproximamos, nunca parei pra pensar a respeito e quanto mais eu penso, menos faz sentido. Eu era cheio de dúvidas e ela cheia de certezas, pelo menos era o que eu pensava. As dúvidas dela eram tão maiores do que aquelas que eu achava que tinha, que quando ela pareceu se decidir e começou a me deixar fazer parte da vida dela, e eu percebi, minhas certezas se inverteram... Talvez eu fosse o cara daquele filme Adventureland, porque ela era exatamente igual a menina do filme... Se quiser saber os detalhes é só assistir o filme, desconsiderar o emprego de verão e o final feliz.
Eu não era ninguém - e continuo não sendo - Ela era menos... Acontece que de alguma forma, nos aproximamos, nunca parei pra pensar a respeito e quanto mais eu penso, menos faz sentido. Eu era cheio de dúvidas e ela cheia de certezas, pelo menos era o que eu pensava. As dúvidas dela eram tão maiores do que aquelas que eu achava que tinha, que quando ela pareceu se decidir e começou a me deixar fazer parte da vida dela, e eu percebi, minhas certezas se inverteram... Talvez eu fosse o cara daquele filme Adventureland, porque ela era exatamente igual a menina do filme... Se quiser saber os detalhes é só assistir o filme, desconsiderar o emprego de verão e o final feliz.
Eu sinto todas as palavras no meu ar...
Eu não posto aqui faz um bilhão de anos, mas eu não lhe devo explicação.
Não sei se é só comigo, mas as vezes, tudo parece que tá dando certo, minha carreira que até alguns meses atrás era só imaginação minha, tá nascendo e indo pra frente, minha maturidade emocional evoluindo com o passar dos relacionamentos e mesmo sozinho agora, eu não tenho problema nenhum com isso... Tudo parece estar dando certo, tu sorri o dia todo.
Mas a vida, a vida é uma caix... Enfim, um dia chega alguém com a atitude errada e fala a coisa certa pra te deixar pra baixo. Eu sinceramente, racionalizo, analizo e tomo as atitudes cabíveis... Mas mesmo assim, aquilo fica, em forma de angustia presa no teu peito. Não importa se agora tá tudo bem, coisas foram ditas, palavras jogadas ao vento que agora não importa da boca de quem saíram, apenas que foram ditas.
Palavras, é tudo o que eu tenho agora, é tudo o que pode me ferir, palavras que podem não ter sido para mim, mas já que estão no ar, eu me apego a elas. Por que?
Não sei se é só comigo, mas as vezes, tudo parece que tá dando certo, minha carreira que até alguns meses atrás era só imaginação minha, tá nascendo e indo pra frente, minha maturidade emocional evoluindo com o passar dos relacionamentos e mesmo sozinho agora, eu não tenho problema nenhum com isso... Tudo parece estar dando certo, tu sorri o dia todo.
Mas a vida, a vida é uma caix... Enfim, um dia chega alguém com a atitude errada e fala a coisa certa pra te deixar pra baixo. Eu sinceramente, racionalizo, analizo e tomo as atitudes cabíveis... Mas mesmo assim, aquilo fica, em forma de angustia presa no teu peito. Não importa se agora tá tudo bem, coisas foram ditas, palavras jogadas ao vento que agora não importa da boca de quem saíram, apenas que foram ditas.
Palavras, é tudo o que eu tenho agora, é tudo o que pode me ferir, palavras que podem não ter sido para mim, mas já que estão no ar, eu me apego a elas. Por que?
Só uma janela aberta
Mesmo sabendo que falta métrica, que falta rima, que falta tempo, etc... Eu continuo escrevendo desse jeito, 2 quartetos e 2 tercetos. Tentando formar sonetos.
As vezes, uma brisa me sopra a nuca
Eu sei que é só a janela aberta atrás de mim
Mas prefiro acreditar que é você, sussurrando meu nome...
Em algum lugar
As vezes, assisto a um filme
Um romance com final feliz
E imagino ter escrito
Baseado a história que imaginei pra nós
As vezes eu choro
Quando lembro, quando penso;
Quando mencionam você
As vezes eu rio
Quando lembro, quando penso;
Quando sonho com você.
As vezes, uma brisa me sopra a nuca
Eu sei que é só a janela aberta atrás de mim
Mas prefiro acreditar que é você, sussurrando meu nome...
Em algum lugar
As vezes, assisto a um filme
Um romance com final feliz
E imagino ter escrito
Baseado a história que imaginei pra nós
As vezes eu choro
Quando lembro, quando penso;
Quando mencionam você
As vezes eu rio
Quando lembro, quando penso;
Quando sonho com você.
Eleanor
As vezes assusta ver os pássaros comendo o arroz na frente da igreja, depois do casamento, e logo depois vê-los voar pra longe, levando as bênçãos simbolizadas ali naqueles grãos. Mas sempre tem aquela tia velha e solteira que cata alguns e leva pra casa, pra todo casamento há uma tia velha solteira, ou todo casamento tem a sua Eleanor Rigby.
É engraçado pensar... O que é engraçado pensar? É tudo tão trágico que o riso insano torna-se a única expressão plausível naquele momento. Estérica ela ria do outro lado da rua da Igrejinha... Ah se eles soubessem. Ela não ria por motivo algum que eles pudessem supor, seu riso "descontido" era, na verdade, um urro de dor que se perdera e acabara saindo daquele jeito esquisito. Ela estava berrando de sofrimento e dor, os "rá rá rás" eram na verdade pedidos de socorro, e as lágrimas que escorriam ali então, eram as mais verdadeiras e tristes que nunca poderíamos imaginar.
- Olhem só, todas essas pessoas solitárias, de onde elas vêm? De onde elas são?
Fico imaginando o que os padres fazem quando não estão as nossa vista, quer dizer, será que eles se mantêm castos? Vejo pecado nos olhos de todas as pessoas solitárias, como vejo nos meus, vi um padre sozinho ao passar na frente da igrejinha, ele estava sentado na escadaria mexendo em suas meias... o que ele fazia? Será que ocupava a cabeça pra não ter pensamentos mundanos, iguais aos meus? Será que o pecado que achei ter visto na barra da batina era só pasta de dente? Será que ele se mantia casto?
Olhem só todos solitários, de onde somos? Pra onde vamos?
Todos deveriam saber, quando ela berrou daquele jeito e correu pra dentro da igreja, mas já havia ninguém lá, já não haviam pessoas solitárias como ela. A não ser, Mackenzi, acho que era esse o nome do padre das meias. Ela se ajoelhou enfrente ao altar, olhou pra-quela imensa cruz onde pendurada estava a imagem do nosso paladino... Ela derramou mais uma lágrima, e seus lábios arreganhados despenderam-se em seu rosto, ela olhou pra cima e caiu, caiu sem ver aonde. Durante o instante em que ela levou para sair de sua posição de fé e tocar o chão com seu rosto amargurado, o solitário padre Mackenzi se fez uma pergunta "será que eu não posso salvá-los como ele fez?" E ela tocou o chão com o rubor de seu rosto frio.
- Olhem só está pessoa solitária, quem ela gostaria de ser? Quem ela é?
Eleanor não tinha documentos, não tinha nada que lhe pudesse chamar Eleanor Rigby,Mackenzi foi quem escolheu assim. Ao fim daquele dia ele mesmo a enterraria, com suas mãos ele cavou a terra até que fosse tão fundo que as raízes das ervas daninhas ou do gramado não pudessem alcançar o corpo daquela que ele chamou Eleanor. Trabalho cumprido, ele a enterrou e disse em voz baixas algumas palavras que sempre dizia, mas na verdade pensara "mais uma alma que eu não pude salvar".
- Veja só mais uma pessoa solitária. Quem é você? Quem sou eu?
É engraçado pensar... O que é engraçado pensar? É tudo tão trágico que o riso insano torna-se a única expressão plausível naquele momento. Estérica ela ria do outro lado da rua da Igrejinha... Ah se eles soubessem. Ela não ria por motivo algum que eles pudessem supor, seu riso "descontido" era, na verdade, um urro de dor que se perdera e acabara saindo daquele jeito esquisito. Ela estava berrando de sofrimento e dor, os "rá rá rás" eram na verdade pedidos de socorro, e as lágrimas que escorriam ali então, eram as mais verdadeiras e tristes que nunca poderíamos imaginar.
- Olhem só, todas essas pessoas solitárias, de onde elas vêm? De onde elas são?
Fico imaginando o que os padres fazem quando não estão as nossa vista, quer dizer, será que eles se mantêm castos? Vejo pecado nos olhos de todas as pessoas solitárias, como vejo nos meus, vi um padre sozinho ao passar na frente da igrejinha, ele estava sentado na escadaria mexendo em suas meias... o que ele fazia? Será que ocupava a cabeça pra não ter pensamentos mundanos, iguais aos meus? Será que o pecado que achei ter visto na barra da batina era só pasta de dente? Será que ele se mantia casto?
Olhem só todos solitários, de onde somos? Pra onde vamos?
Todos deveriam saber, quando ela berrou daquele jeito e correu pra dentro da igreja, mas já havia ninguém lá, já não haviam pessoas solitárias como ela. A não ser, Mackenzi, acho que era esse o nome do padre das meias. Ela se ajoelhou enfrente ao altar, olhou pra-quela imensa cruz onde pendurada estava a imagem do nosso paladino... Ela derramou mais uma lágrima, e seus lábios arreganhados despenderam-se em seu rosto, ela olhou pra cima e caiu, caiu sem ver aonde. Durante o instante em que ela levou para sair de sua posição de fé e tocar o chão com seu rosto amargurado, o solitário padre Mackenzi se fez uma pergunta "será que eu não posso salvá-los como ele fez?" E ela tocou o chão com o rubor de seu rosto frio.
- Olhem só está pessoa solitária, quem ela gostaria de ser? Quem ela é?
Eleanor não tinha documentos, não tinha nada que lhe pudesse chamar Eleanor Rigby,Mackenzi foi quem escolheu assim. Ao fim daquele dia ele mesmo a enterraria, com suas mãos ele cavou a terra até que fosse tão fundo que as raízes das ervas daninhas ou do gramado não pudessem alcançar o corpo daquela que ele chamou Eleanor. Trabalho cumprido, ele a enterrou e disse em voz baixas algumas palavras que sempre dizia, mas na verdade pensara "mais uma alma que eu não pude salvar".
- Veja só mais uma pessoa solitária. Quem é você? Quem sou eu?
O Conto do Navegante. Primeiro relato do Caderno de dentro do berço. (cáp.VIII)
"Eu falo como se não me importasse, como se não ligasse os fatos ao que escuto ela dizer. Eu sei de tudo, tudo, sem exceção. Mas não posso usar nada do que sei. Eu sou terrível o pior dos seres humanos. Eu falo como se não me importasse, como se não doesse. Mas dói, dói muito mais do que um dia eu imaginei que pudesse doer. E eu que já sofri o inferno na terra... Busquei o paraíso e acabei perdido... Não sei onde estou, é escuro, vazio e cheio de dor... E como dói... Não sei onde estou, não sei de nada... Eu achei que sabia, achei que entendia... Eu estava errado. Não achei que um dia fosse usar essa expressão, mas é a única que me parece plausível "eu estava errado"... Não, "eu estou errado". Errado, sozinho, perdido, perdido, perdido... E cheio de dor... E como dói... Buscar o paraíso e acabar perdido... Me repetindo... Cheio de dor. Eu falo como se fizesse alguma diferença... Falo como se ela se importasse... Como se ela me importasse... Já nem sei quem ela é... Mentira. Eu sei sim, sei mais dela do que de mim. E mesmo assim não sei de nada... Eu não sei de nada... Eu tô perdido... Perdido... Perdido... E como dói... Como eu não achei que pudesse doer... Como se alguém se importasse... Eu falo como se eu me importasse se alguém se importasse... Mas e se alguém se importasse... Me importaria? Mais que raiva! Eu tô perdido. Me repetindo... E dói... E como dói... Eu falo como se não ligasse os fatos... Como se não montasse o quebra-cabeças na minha cabeça perfeitamente... Que raiva! Eu nem sei se isso "tá" certo. Olha só o quanto que eu escrevi... Olha só o quanto que eu falei de mim... Eu, eu, eu, eu, eu, eu... Um parágrafo infinito só falando sobre mim. Eu, eu, eu... E me repetindo. Como eu sou egoísta! Que raiva! E ela... Como será que está? Mesmo me dizendo tudo eu não consigo entender... Não como eu entendo tudo e todos a minha volta... Ela é diferente, desde o inicio, sempre foi. Que diabos! Ódio! Amor! Que diabos que eu sou?! Eu já falei, estou perdido, per-di-do! E dói! Eu acho que entendo os sinais, mas de que me adianta entender o corpo se não entendo a cabeça? Eu acho que entendo os sinais, mas de que adianta se eu não sei o que fazer com eles? Eu acho que sou o maior egoísta que já existiu, não consigo parar de falar de mim. Leoninos... Só que não é assim. Não deveria ser! Eu não sou só mais um leonino! Eu não sou só mais um! Eu não sou... Eu só sei conjugar os verbos na primeira pessoa do singular. Não é egoísmo, deve ser culpa de uma professora minha da oitava série que me ensinou sobre literatura a primeira vez e me disse que a forma mais bonita, pra ela, de poesia era a romântica, quando o eu lírico falava do que sentia para a pessoa amada. Mas eu nem tô escrevendo pra ela ler... Apesar deu saber que mais cedo ou mais tarde ela vai acabar lendo. Eu não estou usando o pronome pessoal do singular da segunda pessoa, ela é só a terceira pessoa que provavelmente nem vai entrar na conversa. E do que eu falava mesmo? Cá estou eu, outra vez... Perdido... E dói... Eu, eu... Só eu, aqui... No escuro, no frio, no vazio. Só eu e meus pensamentos mundanos, só eu e minhas questões. Só eu e essa saudade que me aperta o peito. Só eu e essa vontade de mostrar pra ela o quanto a amo. Mesmo sem saber o que é o amor... Ela acha que sabe mais do assunto do que eu. Vai saber, talvez ela saiba mesmo. Mas se começou a ler isso, talvez nem chegue aqui, e se ligou os fatos - apesar de não terem sidos diretamente listados - nunca vai ter certeza. Porque ela é igualzinha a mim, o que é muito estranho dizer, nunca achei isso possível, Ela é indecisa, insegura, imperfeita, seria uma ótima mãe. Já falou algumas vezes sobre ter filhos - na verdade, falou muito vezes - mas Freud me ensinou a ligar os fatos aos atos - eu sei o porque dela pensar nisso agora e esse não é um bom motivo. As vezes eu sou tão emotivo, tão ridículo, que dá raiva de mim, ódio! As vezes eu pareço uma parede, não é que nessas horas eu não sinta nada, é que certas coisas me paralisam, o medo me paralisa. A dúvida me paralisa. Eu espero que ela não leia isso, espero que olhe e perceba a extensão das minhas palavras e não tenha coragem de ler... Sinceramente, só tô escrevendo pra mim e pra você que tá lendo - você que provavelmente só sou eu mesmo. Me desculpe a fonte, mas também faz parte do plano de não incentivar que ela leia. "Mas por que publicar se não quer que ela leia" apesar de serem ideias particulares, essa é a minha arte, mesmo que eu não vá mostrar pra ninguém. Isso nem se quer faz sentido pra mim... Mas certas coisas são como são. Eu sou assim, perdido. E sinto essa dor que nunca havia imaginado. Esse sou Eu e somente EU. E EU sou um personagem fictício criado pelo autor, que não tem nada a ver com nada que ele já tenha vivido. Esses aqui são os meus sentimentos de personagem... Qual a minha estória? Sou só uma criança perdida no Limbo."
- A Criança não batizada(retirado de "O Conto do Navegante", 2013 - Andrews Nycollas)
Deu vontade de dividir um pedaço do meu livro, que agora tem nome...
"Chove, como sempre, quando eu quero chorar e não choro... Chove. É culpa minha, podem dizer que não, podem achar que é loucura, mas eu sei. É culpa minha. 'Mas você nem sabe o próprio nome' você pensa, mas não diz, porque tem medo. Meu nome não importa, só importa a tristeza, minha tristeza é que fertiliza o solo, por isso aqui nascem flores."
- O Homem sem nome. (Anne no mundo das coisas perdidas - Andrews Nycollas)
- O Homem sem nome. (Anne no mundo das coisas perdidas - Andrews Nycollas)
O Leão
De raiva o Leão rúgio
O Leão chorou de raiva
Tinha raiva da sua covardia
Raiva de ser tão grande
quando se sentia pequeno
Tinha raiva do seu pelo impreciso
da sua juba, na verdade
Tinha raiva de ser como era
Tinha raiva de ser covarde
Postes, paredes e árvores.
Me deu vontade de jogar tudo pro alto e me jogar de lá. Por falta de coragem de socar as faces que me incomodavam eu soquei a parede, querendo feri-los, eu me feri. E eles não viram meu sangue escorrer, pelo menos. Eu não derramei lágrimas, não havia motivo, mesmo com toda aquela raiva... Raiva de mim. Soquei todas as paredes pelo caminho, árvores e postes não se livraram também. Minha mão está ferida, fui eu mesmo que me feri, por não ter coragem de ferir os outros.
"É demasiada essa vontade de não estar aqui... Essa mesma vontade de estar ai, seja ai onde for, do teu lado... em cima e por baixo... E nos teus braços... E tu nos meus.
Tenho sono e não quero dormir
Tenho livros e não quero ler
Tenho filmes e não quero ver
Músicas que não quero ouvir
Tenho um abraço ansioso pelo calor dos teus braços.
Tenho nos lábios o calor e vontade de me queimar nos teus.
Tenho fome... De ti.
Tenho ânsia... Da solidão."
Tenho sono e não quero dormir
Tenho livros e não quero ler
Tenho filmes e não quero ver
Músicas que não quero ouvir
Tenho um abraço ansioso pelo calor dos teus braços.
Tenho nos lábios o calor e vontade de me queimar nos teus.
Tenho fome... De ti.
Tenho ânsia... Da solidão."
Flores de Plástico
Mesmo sabendo que são de plástico, eu cultivo flores num vazo. Eu minto pra mim, mesmo sabendo que não é verdade, eu acredito. Um "Eu te amo." Como quando eu era criança, tomando banho de mangueira, apontava ela pro céu, apertava um pouco e fingia ser chuva. Como quando botava uma latinha no pneu da bicicleta pra fazer barulho e fingia ser uma moto. Ou quando canto no banheiro de olhos fechados e me imagino num palco gigante cantando pra milhares de pessoas com uma banda amada. Quando me jogo na cama de olhos fechados e, por menos de um segundo, pairo no ar fingindo estar me jogando de um penhasco para a morte. Morre um dia agora, eu me jogo na cama e fecho os meus olhos, com o vento da janela aberta eu tenho meu ar condicionado, com meu lençol de pano de rede eu tenho um abraço. E no vaso cultivo flores de plástico, "elas não morrem."
Crise de pouca Idade.
Talvez eu seja um velho que nasceu alguns anos depois do que deveria ter nascido. Isso explicaria todos os meus medos, a sabedoria que eu imagino ter, as dores no corpo, a falta de fôlego, o fato de já não ter amores, o fato de não ter forças de correr atrás dos que eu crio por um segundo nos olhos de uma bela garota qualquer que eu encontre... Talvez, eu seja um velho.
Pois é...
E se eu puxasse conversa, diria "oi, como estás?" e ela "Bem, e você?"... Provavelmente abreviando "Bem, e vc?"... Ou, quem sabe, "De boa, e tu?".
Eu responderia que estou bem também, mas na verdade estaria querendo dizer que estou mal por estar com saudades dela... Sem dizer isso, quando seria tudo o que eu queria dizer, a conversa terminaria com um "pois é..."
Pois é...
Promessa Quebrada
"As vezes, caminhando, me deparo com um espelho no meio do caminho e virado para mim. E eu que havia prometido não olhar mais pra trás, acabo olhando... Pelo reflexo do espelho. E sinto saudade."
Coisas e Não Coisas Perdidas: O Velho.
Pra onde vão as coisas que a gente perde? Eu fico imagino, como se a gente não perdesse realmente. Pra mim, é com se alguém estivesse sempre a postos, esperando que nos descuidemos de alguma coisa a ponto de que quando aquela coisa suma, nos perguntemos "onde foi mesmo que eu deixei?".
Pensando nisso, estou começando a escrever uma serie de histórias de "coisas" e "não coisas" perdidas. Sim coisas e não coisas, a primeira "historinha" é sobre uma "não coisa", só pra ilustrar meus pensamentos, e se chama:
"O Velho"
"Um dia eu perdi minha juventude... Fiz cartazes, preguei nas arvores e postes pela rua inteira, então eu percebi que eu tinha idade suficiente para andar pelo bairro, e andei, pelo bairro inteiro procurando e pregando mais cartazes. De tão grande que era o bairro eu perdi muito tempo, o bairro virou cidade que virou estado, logo eu já procurara por outros países e nada. A procura havia me deixado mais velho ainda.
Perdi minha juventude buscando por ela. Então, eu me perdi também.
Perdido eu vim parar aqui, onde nem eu mesmo sei que estou, afinal, se eu soubesse já não estaria perdido e não estaria aqui, inerte. Sim, inerte, por não saber como vim parar aqui não faço ideia de como sair daqui... e como não sei pra onde ir... eu apenas fico."
________________________________________________________________________________
Agradecimento especial a Marcos Genú, que dividiu essa ideia comigo e me deixou escrever a respeito do meu jeito. Só um aviso, a partir dessas histórias vamos produzir um filme, que provavelmente não será um curta :)
A Verdade Sobre o Padrão - parte II
Já estávamos na varanda da minha casa, eu ainda não dizia nada, ela também não, nem era preciso. Ela estava mais perfeita do que nunca. Estranhamente, comecei a notar algumas coisas diferentes nela. Ela usava um batom vermelho que eu não recordava de tê-la visto usando antes, era estranho, pois parecia ser a cor que outro afeto, um mais fraco, costumava usar. Notei nela, algumas diferenças que me faziam lembrar de algumas mulheres que tive depois dela.
Pele branca, pálida. Cabelo c... Não adiantaria listar o que eu amava nela, eu amava quem ela era, por isso que procurei por ela em todas as seguintes, em vão. Mesmo aqueles olhos, que quando se repetiam em outras faces geravam amor instantâneo no meu peito, não eram suficientes para... Eu nem sabia o que eu procurava.
Vendo nela as outras que se passaram, como ela, vi que o que eu procurava era justamente ela. Quando eu finalmente entendi, de todos os lados pessoas sujas começaram a vir, eu lutei com eles, não foi difícil afastá-los, mas logo em seguida ela me disse que tinha que ir:
- Não vá, não agora.
- Eu volto, só tenho que ir "bem ali".
Ela disse e eu acreditei. Entrei em casa, perguntei pra quem estava lá se viam ela. Todos afirmaram. Ela era real, eu não estava vendo fantasmas.
(continua)
Pele branca, pálida. Cabelo c... Não adiantaria listar o que eu amava nela, eu amava quem ela era, por isso que procurei por ela em todas as seguintes, em vão. Mesmo aqueles olhos, que quando se repetiam em outras faces geravam amor instantâneo no meu peito, não eram suficientes para... Eu nem sabia o que eu procurava.
Vendo nela as outras que se passaram, como ela, vi que o que eu procurava era justamente ela. Quando eu finalmente entendi, de todos os lados pessoas sujas começaram a vir, eu lutei com eles, não foi difícil afastá-los, mas logo em seguida ela me disse que tinha que ir:
- Não vá, não agora.
- Eu volto, só tenho que ir "bem ali".
Ela disse e eu acreditei. Entrei em casa, perguntei pra quem estava lá se viam ela. Todos afirmaram. Ela era real, eu não estava vendo fantasmas.
(continua)
A Verdade Sobre o Padrão - parte I
Desde que a deixei, não houve um dia em que eu não tenha pensado nela. Mesmo assim, depois de tanto tempo, eu não poderia lembrar exatamente como ela era. Ela passou a ser pra mim o que eu idealizava que ela era. Era, pois ela está morta.
Eu estava saindo de algum lugar, puxei uma porta de correr para a direita e ao que a porta correu eu me assustei, antes mesmo que eu a pudesse ver completamente:
- Mas...
Eu não sabia o que dizer, eu não tinha o que dizer, ela estava morta, mas estava ali. Como? Será que de tanto desejar que estivesse viva, minha mente passou a me pregar peças? Depois de um ou dois segundos de espanto, eu a abracei tão forte que pude lembrar da densidade da pele dela e perceber que era igual, o aroma do shampoo que ela usava estava lá, a textura dos cabelos e a voz, eu sentia o timbre dela vibrar na minha pele.
- ... Como?
Eu não entendia e queria entender, mas não importava, ela só olhou pra mim, rio e disse:
- Depois.
Dali pra frente, não importaria o que ela dissesse, eu acreditaria e seguiria a risca. Nós caminhamos um pouco pela rua, até a minha casa, já no pátio de casa, no sentamos. Eu ficava olhando pra ela, observando e testando minhas lembranças, pra ver se estavam certas e se não, corrigi-las para que quando ela não estivesse comigo eu não tivesse que reinventar o que eu eu havia esquecido.
(continua)
Eu estava saindo de algum lugar, puxei uma porta de correr para a direita e ao que a porta correu eu me assustei, antes mesmo que eu a pudesse ver completamente:
- Mas...
Eu não sabia o que dizer, eu não tinha o que dizer, ela estava morta, mas estava ali. Como? Será que de tanto desejar que estivesse viva, minha mente passou a me pregar peças? Depois de um ou dois segundos de espanto, eu a abracei tão forte que pude lembrar da densidade da pele dela e perceber que era igual, o aroma do shampoo que ela usava estava lá, a textura dos cabelos e a voz, eu sentia o timbre dela vibrar na minha pele.
- ... Como?
Eu não entendia e queria entender, mas não importava, ela só olhou pra mim, rio e disse:
- Depois.
Dali pra frente, não importaria o que ela dissesse, eu acreditaria e seguiria a risca. Nós caminhamos um pouco pela rua, até a minha casa, já no pátio de casa, no sentamos. Eu ficava olhando pra ela, observando e testando minhas lembranças, pra ver se estavam certas e se não, corrigi-las para que quando ela não estivesse comigo eu não tivesse que reinventar o que eu eu havia esquecido.
(continua)
Subscribe to:
Posts (Atom)
