Soneto do que não dá pra mudar

Os dias passam hoje como passaram antes

Ainda assim hoje eu os vejo passarem diferentes

É como se agora eu pudesse usar o tempo que tenho

Ainda que todo esse tempo não supra minhas necessidades

A plástica de minhas palavras bem arranjadas

Pode até iludir alguns com meu insípido conhecimento

Mas a mim, quem eu mais queria iludir, talvez nunca consiga.

Logo eu, quem mais precisa de ilusão, quem mais precisa de uma fuga.

Logo minhas excessivas palavras excederão meu conhecimento

E meu vocabulário se apagará com o fluir do tempo

E nada mais me restará a não ser o meu atraso

Os dias continuam como antes eram e ainda continuaram a ser

Ainda que meu olhar confuso tenha mudado completamente

Eles continuaram passando e eu continuarei ausente

Soneto de "Comecei pensando no Crepusculo ai anoiteceu e eu perdi a inspiração"

Um dia eu acordei e não tinha medos

Me olhei no espelho e não me vi

Cortei meu pulso e não sangrei

Andei no escuro e não tropecei

Um dia eu caminhei a luz do sol

Olhei o céu meio avermelhado

Começou a chover e eu me molhei

Andei pela rua e pisei nas possas

Um dia eu era um homem normal

No outro nem ao menos homem eu era

O coração no meu peito já nem batia

Um dia eu me lembro de ter chorado

E depois de ter sangrado

E então de ter me matado

Soneto para Bela

Loops torturantes compõem sua figura

Uma maquiagem limpa e pura

E o desejo que me chama à fruta

Tão macia e suculenta


Todo o afeto que demonstra

Sincero e livre de pecado

Todo o carinho no peito guardado

Eis o que um dia eu havia sonhado


E ainda que tarde, encontrei.

Quando não mais eu procurava

Minha menina bela e carinhosa


Não é de direito meu

Tê-la de minha assim chamado

Mas eis que assim te deixo chamar-me teu

Encurtado

"Só ela me faz sentir assim
Como se todo o sofrimento do mundo tivesse fim
Como se todas as dores se juntassem em mim
Só ela me faz sentir
Com um inicio, um meio e um fim."