Pois é...


E se eu puxasse conversa, diria "oi, como estás?" e ela "Bem, e você?"... Provavelmente abreviando "Bem, e vc?"... Ou, quem sabe, "De boa, e tu?".
Eu responderia que estou bem também, mas na verdade estaria querendo dizer que estou mal por estar com saudades dela... Sem dizer isso, quando seria tudo o que eu queria dizer, a conversa terminaria com um "pois é..."

Pois é...

Promessa Quebrada

"As vezes, caminhando, me deparo com um espelho no meio do caminho e virado para mim. E eu que havia prometido não olhar mais pra trás, acabo olhando... Pelo reflexo do espelho. E sinto saudade."

Coisas e Não Coisas Perdidas: O Velho.


Pra onde vão as coisas que a gente perde? Eu fico imagino, como se a gente não perdesse realmente. Pra mim, é com se alguém estivesse sempre a postos, esperando que nos descuidemos de alguma coisa a ponto de que quando aquela coisa suma, nos perguntemos "onde foi mesmo que eu deixei?".

Pensando nisso, estou começando a escrever uma serie de histórias de "coisas" e "não coisas" perdidas. Sim coisas e não coisas, a primeira "historinha" é sobre uma "não coisa", só pra ilustrar meus pensamentos, e se chama:

"O Velho"
"Um dia eu perdi minha juventude... Fiz cartazes, preguei nas arvores e postes pela rua inteira, então eu percebi que eu tinha idade suficiente para andar pelo bairro, e andei, pelo bairro inteiro procurando e pregando mais cartazes. De tão grande que era o bairro eu perdi muito tempo, o bairro virou cidade que virou estado, logo eu já procurara por outros países e nada. A procura havia me deixado mais velho ainda.

Perdi minha juventude buscando por ela. Então, eu me perdi também.

Perdido eu vim parar aqui, onde nem eu mesmo sei que estou, afinal, se eu soubesse já não estaria perdido e não estaria aqui, inerte. Sim, inerte, por não saber como vim parar aqui não faço ideia de como sair daqui... e como não sei pra onde ir... eu apenas fico."


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Agradecimento especial a Marcos Genú, que dividiu essa ideia comigo e me deixou escrever a respeito do meu jeito. Só um aviso, a partir dessas histórias vamos produzir um filme, que provavelmente não será um curta :)

A Verdade Sobre o Padrão - parte II

Já estávamos na varanda da minha casa, eu ainda não dizia nada, ela também não, nem era preciso. Ela estava mais perfeita do que nunca. Estranhamente, comecei a notar algumas coisas diferentes nela. Ela usava um batom vermelho que eu não recordava de tê-la visto usando antes, era estranho, pois parecia ser a cor que outro afeto, um mais fraco, costumava usar. Notei nela, algumas diferenças que me faziam lembrar de algumas mulheres que tive depois dela.

Pele branca, pálida. Cabelo c... Não adiantaria listar o que eu amava nela, eu amava quem ela era, por isso que procurei por ela em todas as seguintes, em vão. Mesmo aqueles olhos, que quando se repetiam em outras faces geravam amor instantâneo no meu peito, não eram suficientes para... Eu nem sabia o que eu procurava.

Vendo nela as outras que se passaram, como ela, vi que o que eu procurava era justamente ela. Quando eu finalmente entendi, de todos os lados pessoas sujas começaram a vir, eu lutei com eles, não foi difícil afastá-los, mas logo em seguida ela me disse que tinha que ir:

- Não vá, não agora.

- Eu volto, só tenho que ir "bem ali".

Ela disse e eu acreditei. Entrei em casa, perguntei pra quem estava lá se viam ela. Todos afirmaram. Ela era real, eu não estava vendo fantasmas.


(continua)