Crise de pouca Idade.

Talvez eu seja um velho que nasceu alguns anos depois do que deveria ter nascido. Isso explicaria todos os meus medos, a sabedoria que eu imagino ter, as dores no corpo, a falta de fôlego, o fato de já não ter amores, o fato de não ter forças de correr atrás dos que eu crio por um segundo nos olhos de uma bela garota qualquer que eu encontre... Talvez, eu seja um velho.

Pois é...


E se eu puxasse conversa, diria "oi, como estás?" e ela "Bem, e você?"... Provavelmente abreviando "Bem, e vc?"... Ou, quem sabe, "De boa, e tu?".
Eu responderia que estou bem também, mas na verdade estaria querendo dizer que estou mal por estar com saudades dela... Sem dizer isso, quando seria tudo o que eu queria dizer, a conversa terminaria com um "pois é..."

Pois é...

Promessa Quebrada

"As vezes, caminhando, me deparo com um espelho no meio do caminho e virado para mim. E eu que havia prometido não olhar mais pra trás, acabo olhando... Pelo reflexo do espelho. E sinto saudade."

Coisas e Não Coisas Perdidas: O Velho.


Pra onde vão as coisas que a gente perde? Eu fico imagino, como se a gente não perdesse realmente. Pra mim, é com se alguém estivesse sempre a postos, esperando que nos descuidemos de alguma coisa a ponto de que quando aquela coisa suma, nos perguntemos "onde foi mesmo que eu deixei?".

Pensando nisso, estou começando a escrever uma serie de histórias de "coisas" e "não coisas" perdidas. Sim coisas e não coisas, a primeira "historinha" é sobre uma "não coisa", só pra ilustrar meus pensamentos, e se chama:

"O Velho"
"Um dia eu perdi minha juventude... Fiz cartazes, preguei nas arvores e postes pela rua inteira, então eu percebi que eu tinha idade suficiente para andar pelo bairro, e andei, pelo bairro inteiro procurando e pregando mais cartazes. De tão grande que era o bairro eu perdi muito tempo, o bairro virou cidade que virou estado, logo eu já procurara por outros países e nada. A procura havia me deixado mais velho ainda.

Perdi minha juventude buscando por ela. Então, eu me perdi também.

Perdido eu vim parar aqui, onde nem eu mesmo sei que estou, afinal, se eu soubesse já não estaria perdido e não estaria aqui, inerte. Sim, inerte, por não saber como vim parar aqui não faço ideia de como sair daqui... e como não sei pra onde ir... eu apenas fico."


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Agradecimento especial a Marcos Genú, que dividiu essa ideia comigo e me deixou escrever a respeito do meu jeito. Só um aviso, a partir dessas histórias vamos produzir um filme, que provavelmente não será um curta :)